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2 de agosto de 2009




Li as primeiras 150 páginas numa tacada só. E precisava acordar cedo no outro dia. É um livro envolvente, mas tem horas que você quer que Henry Chinaski se foda. Só que ele é durão.

Foi a vida que cuidou de fazer ele assim. Nasceu na Alemanha e foi morar nos EUA na crise de 1920. Era pobre, apanhou desde sempre, cresceu feio, teve um problema sério com as espinhas, virgem até a última página do livro e desde que aprendeu a beber não parou mais.

E odiava as pessoas. Todas elas.

O engraçado é que enquanto os mais populares o desprezavam, ele tinha um ímã para os mais esquisitos, que ele desprezava.

Enquanto socava todos os (possíveis) amigos, era capaz de ficar com fome para dar sua comida a um cachorro magro e triste.

A leitura flui, com trechos que você quase rir e outros que quase chora.
Provavelmente um livro auto-biográfico.
E com certeza a melhor das últimas leituras.
Agora quero outros de Bukowski e espero que sejam tão fortes quanto.

TRECHOS:

"Era difícil para mim acreditar. Quando o recreio terminou, me sentei na sala de aula e fiquei pensando no assunto. Minha mãe tinha um buraco e meu pai tinha um pinto que espirrava suco. Como eles podiam ter coisas como essas e continuar caminhando como se tudo fosse normal, conversando sobre banalidades, e então fazer aquilo e não contar pra ninguém? Sentia realmente vontade de vomitar quando encarava a idéia de ter começado a partir do suco de meu pai."

"Sentei no sofá. Ficar bêbado era bacana. Decidi que sempre me embebedaria. A bebida levava o que era vulgar para longe, e talvez, se você conseguisse ficar afastado do que era vulgar por tempo suficiente, pudesse escapar deste destino."

"Nunca me sentira tão bem. Era melhor do que masturbação. Fui de barril em barril. Era mágico. Por que ninguém havia me falado a respeito disso? Com a bebida, a vida era maravilhosa, um homem era perfeito, nada mais poderia feri-lo."

"E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo."

"Todo mundo só falava da guerra na Europa. Eu não estava interessado na história mundial, apena na minha própria. Que lixo. Seus pais controlavam você durante toda sua infância e adolescência, cagavam na sua cabeça. Depois, quando você já estava crescido e pronto para viver por conta própria, os outros queriam enfiá-lo num uniforme para que você pudesse levar um tiro no rabo."

"As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora."

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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