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24 de abril de 2009


Desde D. Estultícia eu sou fã, sem nem mesmo conhecer muito bem.
Gabriela Kimura.

Não vou dizer que é fácil. Dançar dois pra lá, dois pra cá. Também não vou dizer que é tão complicado a ponto não saber que pisar na pontinha dos dedos alheios é capaz de fazer o mundo desmoronar inteiro. A dor que parece não cessar.

Porque dois anos é tempo que começou agorinha mesmo, ontem, anteontem. Quando chegava na bagagem mais afeto, pares de sapatos velhos, geladeira, estante. Um monte de será, talvez, daqui por diante. Certeza que vai durar.

Mas volto a dizer que não é fácil ver tanto papel espalhado pela pequena–casa inteira. Olhar a bagunça da mesma geladeira que sonha em ser mais nova, mais ativa, mais frígida, menos calórica. Sim, é difícil pra cacete ver aqueles sonhos gigantes brincando de voar pelo quintal.

Difícil é também agüentar meus humores. Quem me conhece que me compre. Sem direito a devolução. Com a minha boca afiada e duas mil certezas na mira de quem disser o contrário, fazer um pequeno gesto ou comentário. Não, ninguém disse que ia ser fácil.

Nem mesmo quando a gente acorda todo dia com aquela cara conhecida no travesseiro ao lado. E acha graça, acha riso, acha que a vida inteira teve o cuidado de ombro ainda quentinho, de remédio para gripe, de casaco e guarda-chuva, de chá de limão e gengibre, de meia nos pés no meio da noite, da janela que se fecha enquanto o frio quer assombrar seu sono, da luz que fica acesa lá no canto.

O amor é quase sempre um espanto. Um susto. Uma aparição. E é capaz de separar famílias inteiras. O amor, essa peste insistente, não bate bem da moleira. Não é que pega a gente num repente e nos faz desafinar alegremente pelos cômodos da casa, pelas ruas, pela estrada? Febre e choradeira. Gargalhada e tremedeira. Oito e oitenta. Você e eu.


Gabriela Kimura

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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