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2 de junho de 2008


MARIO PRATA
(sobre quemmm? Adriana Falcão, assunto do nosso sushi de ontem!)

Essa menina, e que se chama Adriana ainda por cima, acho eu, não tem ainda a noção exata do que acaba de cometer com a literatura brasileira e - duvido, não - mundial.

Não sei se o estouro vai ser já, ou a fábula dela vai pegar leve. Eu não sou crítico de literatura e nem teórico do ofício. Mas por escrever, quando leio tem um lado profissional que dá uma espiada de trivela. É que eu tenho dito aqui estar impressionado com a nova literatura brasileira feminina que vai desde Patricia Mello, até a agora Adriana Falcão, passando por Regina Redha, Stella Florence e, mais recentemente, Daniela Versiani.

Essa Adriana - dizem que é pernambucana e o João Falcão é marido dela - escreveu uma fábula que é uma verdadeira máquina. Uma moto-contínuo que, segundo o Aurélio, é "um sistema cujo funcionamento estaria em contradição com o primeiro ou com o segundo princípio da termodinâmica. Seria máquina, de qualquer natureza, capaz de funcionar indefinidamente sem despender energia ou transformando em trabalho toda a energia recebida".

A Máquina, de Adriana Falcão, é tudo que o Exupery achou que tinha feito. Só que o buraco do pequeno príncipe nordestino é muito, muito mais em cima. E não venha me falar mal do fabulista francês porque você, pelo menos uma vez na vida, já disse - todo apaixonado - "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Não disse?

A historinha dessa máquina vai rodar o mundo. Love Story é pinto. Que o Suassuna me perdoe, mas o João Grilo dele perdeu de goleada. Que o Câmara Cascudo não revire no túmulo: mas a Adriana se expressou melhor.

Foi prática.

Todas aquelas viagens do Lula pelo Nordeste e ele nunca conseguiu explicar a fuga dos nordestinos pra cá. E muito menos a volta pra lá. A Sudene? Passa perto. Celso Furtado? Um teórico.

Essa menina mostra o Nordeste para o mundo, gargalhando de amor. Pintando a sua pequena aldeia, como diria Tolstoi, tornou-se universal.

A fabulosa história de Antonio e Karina vai rodar o mundo e encantar leitores até no Nepal. Clinton vai ser flagrado com A Máquina na mão. E a miss Universo vai colocar na cabeceira dela como se cetro fosse. Os teóricos da USP não vão entender, você vai ver.

Vai ser difícil o alemão pronunciar a palavra Nordestina. Mais difícil ainda Falcão. Faukáo?

A Máquina é o verdadeiro bug do milênio. Vai mexer com os seus bite-neurônios. Sua vida nunca mais será a mesma. Tristão e Isolda nunca mais escreverão cartas. Romeu vai morrer de tesão pela Karina. E Julieta vai se suicidar dentro de uma máquina renascentista.

Jorge Luis Borges e Cortázar vão ter que rever tudo que escreveram brincando com o tempo. E a teoria da relatividade vai ficar bem menos relativa.

Todos aqueles filmes sobre a máquina do tempo, são coisas do século passado. A odisséia no espaço não será em 2001. Está sendo agora.

Adriana consegue plantar um pé de caju em nossas caipirinhas de limão e nos meus pés de laranja-lima, olhando os lírios do campo. Antonio e Karina, isso sim é um encontro marcado. O diário de uma magia alquimista. Karina e Antonio são todas as minhas mulheres e todos os meus homens.

Em volta da cidadezinha de Nordestina tem uma linha imaginária, separando o universo adriânico do resto do mundo. Algo como o Equador, Câncer ou Capricórnio. Pois ela quebra as latitudes e as longitudes do amor, da dor, da flor e de tudo quando é rima fácil. As rimas dela são ricas como o calor.

Se você quer entender o Brasil, que tantos historiadores e exploradores tentaram, deixe a preguiça de lado e vá se entender com a Adriana Falcão. Ela sabe das coisas do nosso Brasil e tem mais: do Brasil daqui a 25 anos. Quer saber como estará você daqui a 25 anos?

Ela te diz. Duvida?

Adriana, desculpe tantos elogios cá deste modesto colega de ofício. Mas é que você é a escritora mais brasileira que eu já li. Você é fabulosa. E diga ao João pra não ficar com ciúmes, não. Além do mais, meu filho se chama Antonio, a minha empregada é nordestina e você, menina, me ensinou que o Brasil, daqui a uns anos vai estar bem, bem melhor. É uma questão de tempo. E de querer.

Obrigado, Adriana. Afinal, as máquinas não foram feitas para nos matar.

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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