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20 de maio de 2008


"Eu quero saber como é que funcionas, o que os teus órgãos pensam sobre mim quando tua pele tem a sinapse dos meus dedos. Mostra-me então teu fígado, teu baço cansado, esse pulmão com maços de cigarro, quem sabe uma veiazinha obstruída que eu faço faxina, tiro o pó, a gordura encardida, boto teus rins de molho, que, veja só, depois de tanta batalha, tanto suor e secreção, ainda tenho a sensação de ser uma estranha nesse teu corpo fechado, deixa-me auscultar os teus interiores sem ladainhas, sem frescurinhas, sem monitoração. Para depois, quem sabe, deitarmos juntos, lado a lado e eu ainda te fazer um mimo, te enfiar um cateter que eu conheço como ninguém, porque lá de onde eu venho eles furam a gente inteira, mas aqui não, assim não, é diferente, que esse sangue teu aí que tinge de leve a agulha fina é só para te mostrar que o amor pinica, que faz cosquinha, que não quero mais saber de amor de estetoscópio, de ouvido no peito. Eu preciso te conhecer por dentro. Eu preciso saber aonde eu vou."
(Dona Estultícia - que as nossas enfermidades sejam breves.)

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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