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10 de setembro de 2007


Pára-ráios de problema alheio

Sabe aquela coisa "tédio acabou de entrar...e já vem falar comigo"???
O negócio caminha por aí. Ficar online no MSN é coisa que jamais faço nessa vida se eu não tiver um bom motivo para. No máximo um "ausente" estratégico quando existem motivos sub-entendidos. O mais usual é o offline: só falo com quem eu quero.

Mas desde que o mês de setembro chegou, parece que os astros andam em briga. O mês do desgosto (Agosto do Djabo) passou discreto e mandou a urucubaca toda para o próximo. Lá tô eu com meus problemas todos de uma vida, aguentando mais uma tuia de novos, minhas amigas também atoladas nos delas e todo mundo levando como pode. Aí estou eu no (mal)dito MSN numa dessas experiências de status "online" e sobe janelinha "meninaaa, estou com um problemão!". A menina aqui se finge de morta? Não. A pessoa não deixa. Dana-se a falar do mercado de trabalho, da grana que anda curta, da pressão maluca da vida profissional e de como tá se lascando por causa disso. Como se. Tu não é a única, querida! Conto 10 segundos, sobre outra janelinha "Menina, me ajuda: meu namorado acabou de me dar um pé na bunda!". Menina aqui se finge de morta? Não. A pessoa não deixa, continua falando todos e todos os motivos que o cara deu para o fim do relacionamento, das mensagens que ela mandou, das respostas das mensagens que ele mandou e por aí se vai uma vida inteira. A terceira janelinha que subiu, a minha tolerância chegou ao zero kelvin. Offline, já vou tarde!

E o direito de contar seus problemas termina quando começa o direito de paz dos meus ouvidos.

Almoço de família. Oba, vamos nos divertir com a loucura alheia, pensei. Ingênua sou eu! Chega uma maluca de carteirinha no meio do almoço. Rindo muito alto, falando muito alto, chamando atenção de todas as formas que se pode imaginar. Minha pouca experiência já tinha alertado: ou ela se droga ou deve ser um daqueles casos de transtorno bipolar. Euforia e depressão. Não deu outra. Na hora da sobremesa, ela conseguiu reunir todos ao redor dela e começou a contar os seus enormes problemas. E não foi do tipo quem-quiser-que-saia-daqui, rá. Foi do tipo tô-falando-alto-porque-você-aí-tem-que-me-ouvir-e-participar. E 'ai' de quem falasse alguma coisa com a pessoa do lado durante a demonstração teatral dela, de modo que todos tiveram que ficar calados, tal qual uma platéia bem educada. E ela fazia perguntas do tipo "o que você acha disso?", "ei, o que você tá pensando?".

Eu que nunca gostei de chamada oral, num minuto que ela olhou pro lado, fugi pela brecha da porta e fui me juntar ao meu pai que já tinha desaparecido antes. Não contei dez segundos para ter certeza que fiz a coisa certa: ela desandou a chorar muito alto, de uma forma muito histérica. Minha tia com Alzheimer me olha, junta o restinho de consciência que sobrou e "quem é essa louca cantando na cozinha?". Nada não tia, tu num conhece esse povo doido! "Ave, mas essa é doida mermo!".

Mais um pouco, pego no flagra uma prima fugida também, carregando o pai pela mão. Fomos embora, os quatro, na surdina. Só não empurramos o carro até a esquina pra não fazer barulho com o motor (vide A Noviçargh Rebelde) porque imaginamos que não daria tempo da louca vir correndo atrás da gente. E a fofoca-pós ficou por parte das mães, que, coitadas, não conseguiram escapar! E ainda digo mais: todas saíram de lá com uma missão que a doida passou.

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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