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4 de outubro de 2006


É um texto antigo de Brazileira!Preta que nunca esqueci. Antigo é para ler tão-antigo-mesmo. Talvez faça tanto sentido hoje que valha a pena colocá-lo na íntegra.

Single Serving Love

I.
um dia

Apaixonei.

Bem rapidinho. Já vai passar.

Porque ele tem os olhos desenhadinhos e beijo macio e o cabelo igual ao meu - uma merda - e deve mandar muito bem. Ainda não sei. Mas sei que ele bebe e toma bolas, porque é junkiezinho lindo e anda com os olhos semicerrados quando chapa. É o suficiente para me fazer dormir sorrindo. Porque ele não é um dos piores. Qualquer coisa que fizesse causaria menos mal do que a última vez. Menos, deixa eu te contar, é um monte. Mas tudo bem, estou sorrindo de novo, cheia de seqüelas.

Mas tem que ser um dos piores. Senão, não faz cócegas no cérebro.

Sabia, sempre soube, desde que deitei os olhos nele. Faz tempo, bastante tempo. Ele estava perdidinho e eu o ajudei a se encontrar. Ele nem deve lembrar, mas ficou gravado no meu catálogo de possibilidades.

Mas ei, nada de mergulhar fundo, não tenho fôlego e não vale a pena.

A não ser que eu mergulhe.

Não, não, ainda não. Por muito tempo, não. Exatamente o que eu disse da última vez. Mas não, não. Só diversão mútua, não dá pra levar a sério.

A não ser que eu leve.

Não dá pra saber até ser.

II.
outro dia


Cócegas na barriga. Perfeito, exatamente o que preciso agora. Amor burro. Sem cérebro, sem palavras, sem verborragia, fácil, violento e suave. Sem dor de cabeça e competição, só entrega, só alguém pra me ter de café da manhã e me encher de sorrisos doces. Preciso de doçura. Preciso de paixão que arranque meus sapatos e de doçura. Queria parar com esse negócio de me apaixonar por cérebros e adjetivos deliciosamente bem usados, porque eles só servem para te derrubar depois. Mas eu gosto de cair, adoro. Tenho tesão em ralar os joelhos. Mas naquela hora, naquele dia, só queria me entregar de olhos fechados à vida, em um quarto de hotel barato e sem chave e acordar com o barulho da chuva e a certeza de estar muito atrasada. Dizer tudo sem pudores, sem compromisso, sabendo que seria entendida porque não tinha nada de complexo em jogo. Poder deixá-lo dormindo lá, com um sorriso no rosto, sem ter que levantar da cama suja para me escoltar a lugar nenhum, porque sempre sei para onde ir. Paixão rápida, efêmera, de duas noites, que acaba quando a porta se fecha ao final de um texto. Bang.

Passou.
(Lady Averbuck)

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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