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25 de outubro de 2006


Só que, Amanda, cuidado, é muito triste rever uma paixão, quando todos estão curados dela...

Constrangedor isso. Semana passada eu revi um ex-ficante/gostante meu. Dei de cara com ele num lugar bem inusitado e pude perceber que além ter ficado mais gordo e ter perdido metade dos cabelos, ele ainda continua com a mesma mania de falar com as pessoas invadindo o metro quadrado delas. Mania, diga-se de passagem, bastante desagradável porque, salvo raríssimas exceções expressamente admitidas na Lei da Boa Convivência, ninguém deve manter nenhum tipo de conversa dentro do espaço atmosférico do próximo. E, parando para o diálogo básico de nossa-quanto-tempo-como-você-está-dê-um-abraço-na-família, tive a impressão que ele estava me empurrando com a barriga e eu comecei a andar pra trás, pra trás, pra trás até que. Bem, eu e minha irmã saímos às gargalhadas lembrando da época que eu era babaca pelo cara e achava que ele era minha alma gêmea só porque o sanduíche preferido dele também era o de bacon.

Tudo começou numa mesa de bar. Eu não devia estar naquele lugar, naquela hora, naquela mesa e ele também não...mas, por algum motivo, estávamos. E, sentado na minha frente, depois das apresentações, engatamos um papo pra lá de anos 80. O encanto começou na hora que eu comentei que iria levar meu filho de 5 anos de idade (quando tivesse um) para um show de Barão Vermelho e fazer ele cantar todas as músicas em cima do meu ombro. E o gatinho disse que esse era o sonho da vida dele e "nossa, você tem que ser a mãe dos meus filhos". E eu "daqui a uns 10 anos, quem sabe!". Mas o cara tinha uma namorada antiga e putz, conhecida minha...coisa que não podia ser pior e que eu só descobri depois de já tá babando por aqueles olhos verdes e o rostinho de bom moço. Mas enfim, aquela conversa ficou gravada num passado de possibilidades. E eu saí do bar jurando que, 20 anos depois, aquele cara seria o meu marido.

Os anos se passaram e foi quando eu reencontrei o cidadão numa noite de São João, em uma cidade longe daqui. E pasme: além de simpaticíssimo ele também estava solteiríssimo. Não podia ser melhor, caso eu não estivesse, na ocasião, gostando de outro. Pois. A vida tem dessas coisas.

E aí eu comecei um namoro com esse outro, acabei o namoro e o destino e o acaso resolveram se juntar para preparar a tal armadilha. Começou uma sucessão de coincidências impressionantes que até quem via não acreditava.

Sinal fechado. Quem estava no carro do lado? Ele. Barzinho com as amigas. Quem estava na mesa do lado? Ele. Curso de odontologia numa faculdade de administração. Quem estudava lá? Ele. Parada obrigatória de madrugada para a coxinha do select. Quem estava lá tomando a saideira? Ele. E para não citar todas as outras eu vou usar umas reticências aqui...

E com todas essas coisas acontecendo no pequeno espaço de tempo de algumas semanas, começamos a ficar assustados e, agora ambos solteiros, a coisa não tinha mais pra onde fugir.

E o cara era tudo. Me olhava com aqueles olhos verdes e colocava minha mão no peito dele, dizendo que o coração nunca mais tinha batido daquele jeito. Quando dizia que ia acordar cedo no outro dia e não iria mais trabalhar porque o negócio era viveeeer e o que ele queria mesmo era chutar o pau da barraca, nossa, eu tinha 33 orgasmos cerebrais. E ele me ligava de madrugada e aparecia com cervejas no meu prédio. E me levava pra tomar banho de chuva no meio da rua. E nossos pais foram amigos de infância. E o nome da mãe dele é igual ao da minha. E o nome do meu pai é igual ao do dele. E ele era definitivamente a minha alma gêmea.

Mas aí a coisa começou a complicar quando o repertório de assuntos se fixou no trabalho dele e no quanto ele andava estressado. E que, deus querendo, ainda chutava o pau da barraca um dia. E não topava, de jeito nenhum, uma boate no meio da semana porque, sabe, tinha que acordar cedo no outro dia. E enquanto eu me sentia rejeitada, achando que já era o começo de uma não-correspondência o fato de ele negar meu convite, ele negava porque o pai apostava tanto nele que jamais poderia ser irresponsável chegando tarde em casa.

Para completar, tinha uns amigos pentelhos que davam em cima das minhas amigas e chegou um ponto de ficar insuportável para elas aturarem isso em nome da minha amizade.

E também não beijava bem. E invadia meu metro quadrado com a barriga sempre que estávamos conversando civilizadamente em público. E também tinha a mania de cutucar. Falava cutucando, coisa que me deixa com os nervos absurdamente à flor da pele. E ele dava duas dobras na barra da calça jeans, deixando ela grudadinha na canela. E, já meio gordinho, teimava em usar calças cargo quando queria fazer o tipo largadão. "E quer saber, foda-se, velho! Não to nem aí pra nada, garota!", me dizia fazendo cara de despreocupado. E respirava muito alto, de modo que não havia silêncio perto dele.

E tinha aquela coisa chata de me deixar esperando uma ligação até cansar por semanas a fio. E de ligar de repente fazendo eu desmarcar todos os programas. Mas graças a deus um dia eu cansei mesmo.

E não teve mais jeito nem boa vontade. O abuso se formou. E eu fiquei puta com as minhas amigas que não me mostraram nada disso antes. Aquele jeito dele de dizer que queria viveeeeeer, que ia pegar uma mochila e sair andando sem destino, que nossa-como-a-gente-é-igual-em-tudo, tudo isso elas já sabiam que não passava de um tipinho. E quando o cara me apareceu dizendo que ia revolucionar o mundo porque finalmente tinha tido coragem de fazer um furo na orelha, eu quase vomitei em cima dele. Mas aí não deu tempo porque ele continuou, dizendo que desistiu minutos antes quando lembrou que o pai dele...sabe né!

E depois que perdi o contato com o camarada, fiquei sabendo que ele usou essa tática das cervejas de madrugada com duas das minhas amigas...e as coitadas, desavisadas, toparam o convite. Uma não caiu na lábia dele por puro peso na consciência. A outra disse que, vendo o cara chegando com as cervejas no prédio dela, começou a lembrar de todas as coisas que eu tinha contado e teve crises convulsivas de riso a cada associação que fazia. Teve que mandar o cara voltar pra casa porque, definitivamente, ele era exatamente tudo isso que eu descobri depois de muito tempo: um mané de carteirinha!

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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