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20 de agosto de 2006


Primeiro Capítulo...

Uma vez eu me apaixonei instantaneamente por um menino. Eu tinha 16 anos e era pra ser uma paixonite rapidinha, dessas que no outro dia você nem lembra. Era carnaval e eu não tinha idade nem vontade para a multidão de Olinda, então fui com minha família para a tal praia onde todas as coisas aconteciam.

Por coincidência, todas as minhas amigas também estavam lá com suas famílias e uma delas tinha chamado para ir no seu condomínio, que ficava ao lado do meu, onde, disse ela, todas as pessoas eram legais e todos os meninos eram bonitos.

A gente foi. Era final de tarde, já escurecendo, e aquela turma enorme reunida na frente do condonínio. Os tais meninos bonitos estavam tentando fazer um espaço para jogar futebol e eu vi aquele menino ali. Ele usava uma camisa regata branca, era magro e não tinha nada que chamasse atenção. Ele tava fazendo um esforço sobrenatural para tirar um tronco de coqueiro que estava enterrado na areia da praia. Os meninos bonitos e educados foram falar com a gente, foram feitas as apresentações e constatado que eles eram realmente simpáticos. A rodinha de violão logo se formou e aí o menino do coqueiro finalmente desistiu da árdua tarefa e veio se juntar à turma.

Minha amiga me apresentou e ele fez uma piada (interna!) com meu nome. O encanto foi instantâneo. Ele era o mais velho da turma, tratava a minha amiga como uma irmã caçula e ela logo me avisou disso quando eu falei que tinha ficado de queixo caído por ele.
"Olha, ele é o mais velho dos meninos, trata a gente como irmã mais nova e é melhor você nem pensar em paquerá-lo porque ele já deve ter te achado uma pirralha". Mas nessa hora a gente se deparou com o menino brincando com as pirralhas do condomínio, ensinando a rodar um bambolê, para fazer graça. Depois ele veio na rodinha de violão e pediu uma música que, na época, ninguém conhecia e que eu adorava. Me sensibilizei com isso.
E o final de tarde foi assim, os meninos bonitos tocando e cantando e eu toda abestalhada por aquele cara sem beleza.

O carnaval acabou e as notícias que eu tinha dele vinham através da minha amiga. Nessa altura, todas elas já sabiam da minha paixão instantânea por ele. Eu havia decretado o cara como o meu futuro marido e alma gêmea para todo sempre.

Um mês depois, numa noite de semana, meu irmão ia tocar numa boate aqui na cidade e meu pai tava indo prestigiar sozinho e me chamou. Coloquei a primeira roupa que vi na frente, uma sandália rasteira e saí sem maquiagem alguma, com a escova de cabelo na mão. Para resumir a coincidência toda, quando cheguei lá fiquei sabendo que a banda do irmão dele também faria uma apresentação nessa noite e minha imaginação foi no céu.

As bandas começaram a se apresentar e eu fui andar pela boate. Tinha muita gente conhecida, era praticamente o meu colégio todo ali dentro, e na minha cabeça só a pergunta "será que ele tá aqui?" se repetindo. Mas pela quantidade de crianças na boate, duvidei disso. E foi nessa hora que senti um puxão no meu cabelo e um "oi" no meu ouvido. ERA ELE! Ele, em carne e osso, ali, parado na minha frente, falando comigo. Era como se Deus tivesse se materializado pra mim.

De repente aquele lugar se transformou na festa perfeita. Eu, ele e mais ninguém. Conversamos durante horas e quando começava a aparecer uma pontinha de esperança, eu lembrava da minha amiga me alertando que eu era uma criança pra ele. Até que depois de toda conversa do mundo, ele se levantou e disse que ia procurar os amigos dele. Acho que a minha cara demonstrou uma tão enorme decepção que ele completou a frase com um "vamos comigo?".

E foi na escada para o primeiro andar da boate que a gente, de repente, se beijou. Eu dois degraus acima do degrau dele. Eu juro que me lembro de ter ouvido fogos de artifício.

Bem...de resto, ele me apresentou aos amigos, me comprou água de coco, fez piadas lesas (daquele jeito que eu gosto), me trouxe pra dentro das conversas da turma dele e a noite terminou em dois segundos. Ele foi embora e eu fui buscar meu pai para ir também. E nesse dia eu não consegui dormir. Eu tinha 16 anos e era a primeira vez que ficava com alguém por quem eu era apaixonada.

O que aconteceu depois disso eu conto em outro post porque tem história que não acaba mais.

Continua...

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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