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20 de agosto de 2006


...Segundo Capítulo...

Um ano depois eu reencontrei o menino, na mesma época, na mesma praia. Ele continuava sendo Deus materializado pra mim. E totalmente idealizado. Eu tremia dos pés à cabeça naquele reencontro, e ele, insensível, fez o infeliz comentário que achava que eu era bem mais alta. E para começar o drama, ele mediu nossa altura (minha e da minha amiga-irmã-mais-nova-dele) e constatou que tínhamos o mesmo tamanho. Para ele, eu não era mais a menina da boate. Nesse dia eu virei a criança que minha amiga tinha alertado.

E aí não teve mais jeito. Eu podia andar nua com uma melancia na cabeça que ele não prestava atenção. Virei a espectadora oficial dos jogos de gamão dele com minha amiga, e ele me chamava de burra porque não entendia como eu podia não ter aprendido ainda a jogar, depois de assistir tantas partidas.

Eu acordava cedinho e ficava na frente da casa da minha amiga, esperando a hora que ele ia passar para a praia. Eu virei praticamente o animal de estimação da casa dela, quase um jarro no terraço.

Lembro de um dia, a gente na praia esperando ele acordar, e ele apareceu com uma 'amiga de infância', assim entre aspas. Ia ali dentro do mar mostrar as pedras para ela. O mar tava seco e eu quase perguntei se ela era cega pra ter que ir ver as pedras tão de perto. E foram...e eu enlouqueci. Fui lá na casa, arrumei um binóculo, amarrei numa camisa, me escondi atrás do muro e fiquei sentada embaixo de um guarda-sol tentando localizá-los. Acho que passei umas 4 horas ali com os olhos no binóculo e eles não voltaram. E minha amiga compartilhando de todo o meu drama, fiel escudeira.

Outra vez marcamos todos de ir ao cinema. Chamamos todas as amigas e fizemos todas as marmeladas possíveis. Chegamos tarde com a sala já lotada e só havia lugares vagos lá na frente, em cima da tela. E não dava para todos. Todas sentaram e ficamos de fora, e ele me chamou para ir lá pra trás sentar em dois lugares que ele achou. E eu fui tremendo. Mas não teve dragão de São Jorge que desse jeito. E já depois do cinema, minha amiga comentou com ele que achou que a gente tinha ficado, e ele riu como se tivesse ouvido a piada do século.

Outro ano, em outro carnaval, deixei de ir para Olinda numa segunda-feira para ir andar de barco com ele. Eu e minha fiel escudeira. E ele foi o caminho inteiro nos confidenciando que tinha se apaixonado pela colega de trabalho e que tinha descoberto que ela era uma vagabunda e que hoje em dia quase não existe mulher séria e que bla bla bla. Eu nunca me senti num estado tão grande de invisibilidade.

E foram CINCO ANOS de histórias como essas.

Como no dia que ele nos chamou para ir caminhar na praia, ir até a casa do chefe dele. Andamos como nunca tínhamos andado na vida. Eu e as minhas amigas sensibilizadas pela causa. E choveu muito e chegamos na casa do amigo dele encharcadas, descabeladas, sem graça e espirrando horrores. Por sorte, depois de muita conversa e de muitos espirros, o chefe mandou o motorista nos levar em casa, já era noite. Mas não cabia todo mundo. Voltamos na mala do carro.

Continua...

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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