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18 de maio de 2006


Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.

Vanessa era uma adolescente que veio do interior do Pará, de uma cidadezinha bem minúscula (dizem). Depois da morte de um ente muito querido, a sua família resolveu se mudar para a capital pernambucana e reconstruir a vida junto aos antigos familiares deixados para trás.

Ficou encantada com as modernidades do mundo fora da sua cidade natal. Recife, para ela, era o futuro (imagina!). Garota descolada que era, não teve grandes problemas de adaptação e eu diria até que tinha se saído muito bem, se não fosse um mero detalhe: o Shopping Center Recife - o maior da América Latina, diziam.

A menina ficou impressionada com aquela grandiosidade, aquele mundo de lojas, aquele formigueiro humano, aqueles cinemas, aquelas luzes e blá blá blá...mas disfarçou bem, fez cara de paisagem e ia correndo tudo tranqüilamente até o dito momento - Ela é daquelas que quando não se caga na entrada, termina cagando na saída.

Vontade de fazer xixi apertou e Vanessa foi conduzida ao banheiro do shopping. Ao terminar o trabalho, chegou a hora de lavar as mãos e Vanessa não achava o botão de ligar a água. Apertava o pitoco em vão e não saia água nenhuma. Tentava rodar e nada. E como diz Adriana Falcão, inocência é quando o saber ainda está nu! E a gente sabe, é lei da natureza, para cada inocente no mundo, há um sacana por perto. No caso específico de Vanessa, o sacana estava bem ao lado dela. E era A sacana. Prima dela, que se divertia vendo Vanessa brincar, curiosa, com a torneira do banheiro.

Vanessa se rendeu e resolveu pedir ajuda.
- Ei, mas que djabo é isso aqui? Não tem água não é?!!

A prima pensou rápido:
- Ô Vanessa, aqui é coisa moderna. Você tem que falar "Abre", que a torneira abre (e imediatamente meteu o pé no pedal que ligava a água...e a água jorrou forte e Vanessa ficou de boca escancarada! Maravilhada com a novidade!)

E continuou:
- Agora é sua vez. Tente!

Vanessa, ingênua, falou em alto e bom tom: ABRE!
E a prima meteu o pé novamente no pedal e a torneira abriu.

E nesse dia, nossa amiga voltou para casa crente que tinha vindo morar em outro planeta.

O fato é que umas semanas se passaram e Vanessa resolveu voltar ao shopping. Dessa vez sem a prima, para a infelicidade dela. Foi ao cinema, comeu pipoca, coca-cola e já ia voltar para casa quando resolveu fazer a pausa do xixi.

E chegou a hora de lavar as mãos. Vanessa se encaminhou séria até o balcão de mármore e:

- "abre!"

Nada.

-"ABRE!"

Nada.

Mais alto:
-"AAABREEE!"

Nada.

Se aproximou da torneira e cochichou para ela bem devagar:
- "aaaaaaaabreeeee!"

Foi quando percebeu os olhares curiosos em volta. Não perdendo o jogo de cintura, retrucou, apontando com um risinho amarelo de canto de boca:
- Tá quebrada!

E se dirigiu à torneira vizinha gritando um ABRE mais forte!

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Ps. E o final da história ficou por conta de uma gorda de mau humor que passou por ela, apertou o pedal e saiu fazendo cara de deboche, provavelmente pensando: "matutos!". Enquanto Vanessa ficou lá, estatalada, olhando aquele pedalzinho ali no chão, com cara de oligóide. Eu acredito que a prima dela será amaldiçoada pelas próximas 5 reencarnações.

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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