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27 de março de 2006


Tão bom quanto o livro e o filme, só mesmo a crítica de Mario Prata, de 2000.
Sabe quando você passa uma hora e meia suspirando e sai do cinema com seu maior sorriso? Filme raro de se fabricar.

POR MARIO PRATA

Essa menina, e que se chama Adriana ainda por cima, acho eu, não tem ainda a noção exata do que acaba de cometer com a literatura brasileira e - duvido, não - mundial.[...]

Essa Adriana - dizem que é pernambucana e o João Falcão é marido dela - escreveu uma fábula que é uma verdadeira máquina.[...]

A Máquina, de Adriana Falcão, é tudo que o Exupery achou que tinha feito. Só que o buraco do pequeno príncipe nordestino é muito, muito mais em cima. E não venha me falar mal do fabulista francês porque você, pelo menos uma vez na vida, já disse - todo apaixonado - "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Não disse?

A historinha dessa máquina vai rodar o mundo. Love Story é pinto. Que o Suassuna me perdoe, mas o João Grilo dele perdeu de goleada. Que o Câmara Cascudo não revire no túmulo: mas a Adriana se expressou melhor.

Foi prática.

Essa menina mostra o Nordeste para o mundo, gargalhando de amor. Pintando a sua pequena aldeia, como diria Tolstoi, tornou-se universal.

A fabulosa história de Antonio e Karina vai rodar o mundo e encantar leitores até no Nepal. Clinton vai ser flagrado com A Máquina na mão. E a miss Universo vai colocar na cabeceira dela como se cetro fosse. Os teóricos da USP não vão entender, você vai ver.[...]

A Máquina é o verdadeiro bug do milênio. Vai mexer com os seus bite-neurônios. Sua vida nunca mais será a mesma. Tristão e Isolda nunca mais escreverão cartas. Romeu vai morrer de tesão pela Karina. E Julieta vai se suicidar dentro de uma máquina renascentista.

Jorge Luis Borges e Cortázar vão ter que rever tudo que escreveram brincando com o tempo. E a teoria da relatividade vai ficar bem menos relativa.[...]

Adriana consegue plantar um pé de caju em nossas caipirinhas de limão e nos meus pés de laranja-lima, olhando os lírios do campo. Antonio e Karina, isso sim é um encontro marcado. O diário de uma magia alquimista. Karina e Antonio são todas as minhas mulheres e todos os meus homens.

Em volta da cidadezinha de Nordestina tem uma linha imaginária, separando o universo adriânico do resto do mundo. Algo como o Equador, Câncer ou Capricórnio. Pois ela quebra as latitudes e as longitudes do amor, da dor, da flor e de tudo quando é rima fácil. As rimas dela são ricas como o calor.[...]

Adriana, desculpe tantos elogios cá deste modesto colega de ofício. Mas é que você é a escritora mais brasileira que eu já li. Você é fabulosa. E diga ao João pra não ficar com ciúmes, não. Além do mais, meu filho se chama Antonio, a minha empregada é nordestina e você, menina, me ensinou que o Brasil, daqui a uns anos vai estar bem, bem melhor. É uma questão de tempo. E de querer.

Obrigado, Adriana. Afinal, as máquinas não foram feitas para nos matar.


posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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