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11 de março de 2006


Cagalhos! Mas eu era realmente uma criança medonha. E em casos assim, é muito perigoso quando sua mãe resolve separar as fotos de família e colocar em álbuns imensos, recém-comprados, selecionando por épocas.

Seria injusto dizer que era tão medonha assim quando criança, uma vez que crianças sempre são lindas, e o auge da minha medonhice veio mesmo na adolescência. Mas ela deveria ter aproveitado melhor essa minha fase rosto-lisinho. Só que no lugar disso, fez exatamente o contrário. Então tem lá uma foto da alfabetização, no aniversário da minha irmã mais nova, todas as crianças ao redor da mesa. Sabe aquela propaganda "Você não precisa economizar tanto para comprar o seu Volkswagen"?? Ela usou aquela cuia para cortar o cabelo do meu irmão...e o meu também. Então, vendo a foto, eu só soube que eu era eu porque EU tava de vestidinho, e o meu irmão de calção. Mas, detalhe para o vestidinho: era o colégio que obrigava!

Mas manhêê, nem um laço brega na cabeça pra ficar menos homenzinho??

Então segue. Veio a fase da adolescência. E acho que é de lá que vem a minha intuição de ter algum parentesco com extraterrestre. É também de lá que deve vir essa mania de ser tão anti-social e ter medo de festas de confraternização. Descobri que a razão de todos os nossos traumas pode vir à tona em álbuns de fotografia. E eu descobri a razão do meu: Os meus pais me escondiam em casa.

É, pessoas, isso é inadmissível, mas eles tinham vergonha de mim e me escondiam em casa. Jamais eu ia a festinhas com eles, jamais fui apresentada aos amigos deles. Sim, porque até eu, se fosse minha mãe, também teria vergonha.

E minha adolescência foi mais ou menos assim: três sobrancelhas de cada lado (a minha mãe não deixava eu tirar com pinça, mandava eu passar água oxigenada. Anta ela e anta eu, que obedecia!), um bigode, um aparelho faltando dois braquetes nos incisivos laterais (por causa dos dentes de leite até hoje sobreviventes. Caso de agenesia, gentes!). Também teve o fato da minha queda de cabelo emocional (história triste de minha vó no hospital e blá blá blá) que não seria tão horrível se eles não tivessem resolvido crescer todos na mesma hora, separando meu cabelo em parte lisa e parte pixaim-black-power. Exageros à parte, eu me sinto meio Chitãozinho e Xororó quando vejo aquelas fotos.

Não, e nem conto que ela (siiiim, a mesma minha mãe!) deixou que eu fosse vestida de Kaoma para uma festa de família. Saia rodada florida, top (TOPÊÊÊ) verde limão e uma coisa não identificada no tornozelo esquerdo, igualmente verde limão. E batom vermelho no estilo cheguei-primeiro.

[Eu não quis perguntar a ela se eu cheguei a dançar lambada na frente da família inteira. Tive medo da resposta!]

Achando pouco, ela também fotografou o meu guarda-roupa com recortes de revista de Juninho Paulista e Bebeto.

Depois dessa sessão de fotos, ontem à noite, finalmente cheguei à conclusão de que minha mãe me odiou muito em outra encarnação. E nesta, ela deu a vida por uma experiência. Sabe, aquela coisa bem curta-metragem, onde você filma a vida inteira de alguém e depois passa para todos dizendo "eu pari um alienígena!".

Graças a Deus que o meu pai existia, tava lá quando eu nasci, e proibiu que ela me registrasse como LANUZA!!!

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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