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22 de janeiro de 2003


Esse é o meu anjo...

Eu era segundo período, época das anatomias difíceis que era o terror das reprovações. Eu tinha ficado doente e não estudei, quando fiquei boa, só faltava uns dias para a prova. E toda aquela imensidão de assuntos. Eu tava desesperadíssima.

Era uma quarta-feira, não havia aula. Fui pra faculdade pra me livrar do barulho da minha casa. Maldita idéia porque todo mundo pensou igual e resolveu ir pra lá também. Quando eu começava a estudar, sentava alguém pra conversar merda. Chegou uma hora que eu me estressei de um jeito que briguei com duas meninas da sala e sai sozinha com o livro-bíblia embaixo do braço, em busca de sossego.

Achei o anfiteatro...quase ninguém, além dos cadáveres. Sentei ali e comecei a ler. Mas a essa altura eu já tava furiosa e desesperada porque sabia que não dava tempo de estudar tudo aquilo que planejei praquela tarde. Uma merda total porque comecei a ler e não entendia mais nada, nenhuma frase entrava na minha cabeça. Lia e relia, e o desespero aumentando. Estava a ponto de chorar de raiva e desistir da prova quando ele entrou.

Chegou bem devagar, colocou os livros do meu lado e saiu sem dizer uma palavra. Foi lá dentro, pediu uma bata emprestada pro carinha que toma conta do lugar, vestiu, sentou do meu lado, me deu um beijo no rosto e:
- Um passarinho verde me contou que você tá estressada com a prova, achei eu que podia vim aqui te ajudar com esses estudos.
- Mas é impossível, tu não entende nada disso aqui.
- Posso aprender. A gente estuda junto e aprende.

Abriu o livro e começou a ler em voz alta, e aquelas linhas pareciam grego pra gente. Ora eu explicava pra ele, ora ele me explicava, na medida quem íamos entendendo. Chegou um parágrafo que travou tudo, um monte de frase impossível de entrar na cabeça de qualquer ser humano.
- Tá vendo que não vou conseguir entender isso aqui nunca? Não tem nem como decorar.
Ele parou, ficou uns 5 minutos olhando pro livro, depois virou pra mim e começou a contar uma história absurda. Ele inventou uma história absurda com todas aquelas abreviações e nomes bizarros. Era tão engraçada que conseguimos decorar aquilo até um dia desses. Nessa hora o mau humor foi embora.

Depois que acabamos tudo, ele me fez umas perguntas e discutimos sobre o assunto. E o que levaria embora minha tarde inteira por causa do desespero, conseguimos estudar em uma hora. O celular tocou, ele tinha quem levar a prima no dentista.
Levantou e me deu outro beijo no rosto.
- Tá vendo, mocinha?! Você não precisa se estressar com tão pouco.
E foi embora. Fiquei parada, com a boca aberta, sem saber o que dizer.

E de repente não tinha mais desespero, não tinha mais mau humor, não tinha mais nada.

E acho que em todo momento de desespero e histerismo meu, algum passarinho verde vai lá contar pra ele, porque ele sempre adivinha e chega como quem não quer nada. E depois que vai embora, me dou conta que tudo passou.
Uma mistura de amigo especial e anjo protetor.

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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