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8 de dezembro de 2002


Fui no aeroporto com as meninas pra plastificar o celular da minha mãe. Me arrumando em casa, percebo que estou horrível. "Pô, não custa nada passar um pó no rosto, vai que eu encontro minha alma gêmea hoje! Nunca devo sair de casa desse jeito, uma alma gêmea eu posso até encontrar no elevador ou comprando pão." E essa idéia de encontrar alma gêmea em aeroporto sempre me deixou meio doida, eu sempre acho que vai acontecer comigo, como cena de filme.

Lá, entrei com Isa. Kati e Patrícia ficaram no carro pra não ter que estacionar.

Foi quando, na monotonia do aeroporto, o carinha plastificando nossos celulares, eu vejo alguma coisa vindo de longe. Uma juba, uma cabeleira meio estranha e meio conhecida. Aquele visual black-power-meio-hip-hop me chamou atenção. O carinha dono da juba veio vindo e parou na nossa frente, distraído. Eu com a boca aberta e olhos arregalados:

- É ele, Isa! É ele!
- Ele quem, Tatá?
- Ele, Marisa. Eu tenho certeza!
- Tatá, pare de olhar assim pra ele. Ele vai ficar com medo de você.
- Marcelo D2.
- Quem?
- D2, Isa. D2!
- Quem é esse, Tatá?
- D2...Marcelo...Planet Hemp. Ai, meu Deus!

Ele foi embora com o resto da banda.
- Tatá, corre...vamos pegar autógrafo.
- Não pô...eu já tenho. Deixa pra lá.
- Não, mas vamo. Vamo!

Fui atingida pela insanidade dela e fui também. Puxo um papel qualquer da minha bolsa e a gente pega a caneta do carinha do celular. Ainda "esquecemos" os celulares lá. Corremos atrás dele e pedi o bendito autógrafo.
- Ah, eu também quero! (Isa)
- Deixa eu ver se tem papel.
No auge do nervosismo, tentei olhar que papel era aquele. Simplesmente meus protocolos da faculdade.
- Peraí, peraí...ah, mas esse é classe I, pode pegar!
As duas embananadas, lendo os papéis e Marcelo D2 esperando.

Depois de toda a cena, me dei conta da vergonha que passamos. Voltamos quietinhas disfarçando a vontade de gargalhar do nosso mico. E que miiiico!

PARTE II

Gritaria no aeroporto. Fotos e mais fotos.
- Tatá, é alguém famoso. Corre, vamo ver quem é.
Fomos ainda um pouco desnorteadas.
Aquela gente feia, cheia de ouros...
- Tatá, só pode ser pagodeiro. Nossa senhora!
- Moça, quem é que tá aí?
- Ah, era Harmonia do samba.
- Ah, pfff.
- Vamo embora daqui!

PARTE III

- Isa, tá vendo aquele gatinho alí?
- Tô. Muito gatinho.
- Pois é, acho que é ele a minha alma gêmea.
- Hã?
- É. Eu acho que vou encontrar minha alma gêmea no aeroporto.
- Tatá, ele tá olhando pra tu. Tá olhando muito.
- É ele. Achei.

(minutos depois, ambas atingida por esse surto de insanidade)

- Tatá...olha aquilo alí. Minha nossa. Acabei de achar a minha agora.
Um carinha com aparência de surfista, lindíssimo.
- Lindo, Isa!
- Vou olhar. Cara, olha o cabelo dele, que vontade de pegar no cabelo dele.
- Eita, olha a mãe dele do lado.
- Porra, minha alma gêmea já vem com sogra!

Ele passa, dá uma olhada...passa a mão no cabelo com aqueeele charme. Isa fica louca, mais ainda!
- Vou atrás dele. Vou atrás dele.
- Pronto, seu celular aqui!
- Valeu, moço. Bora, Tatá.

PARTE IV

E a gente vai. E o surfistinha some. Nenhum sinal.
Saímos inconformadas e fomos a caminho do carro.
- Olha o carro alí.
- Ai, meu Deus, corre...Katiane tá dando ré.
- Eita, ela tá indo embora. Correeeee...
- Katiaaaaaaaanêêêêê.
- KatiânêêêêêÊÊÊÊÊ...
Eu e Isa saímos correndo atrás do carro, gritando, com os braços pra cima, acenando. Ela, sem ver, virou a esquina e foi embora.
Voltamos tudo de novo e esperamos que ela voltasse pra nos pegar.
- Poxa, Tatá...acho que ele tava embarcando.
- Poxa, Isa. Queria tanto conhecer a minha alma gêmea num aeroporto.
- Ia ser legal mesmo, ir pra um lugar bem longe.
- É...eu sei que não vou encontrar minha tal alma gêmea nessa cidade tão pequena. Há de ser num aeroporto, como cena de filme.
- Eu iria embora com ele! Eu não quero ficar pra sempre aqui.
- Tô ligada. Expandir os horizontes, né?
- Isso! Isso. Quero viajar, conhecer outros lugares.
- Isaaaa, será que ele foi pro Hawaii???

...E assim, fomos devaneando no caminho de volta pra casa.

posted by Genivalda Joga pedra na Geni!




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